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Te esperamos na próxima edição desta atividade! 
Início das aulas no dia 8 de março de 2021,
às 20h (Brasília, Buenos Aires) e às 18h (Cidade do México, Bogotá)
Duração do curso: 8 encontros quinzenais.

CR-5 É POSSÍVEL UM OUTRO TURISMO?

PROPOSTA

O conhecimento e saberes produzidos pelos sujeitos e instituições que os representam concernem a experiências, vivências, disputas de poder, rupturas e aprendizagens concretas, percebidas historicamente. Não se trata de simples produtos de uma sociedade. Abordar tais processos somente como um "produto" reduz/empobrece a materialidade das experiências em jogo. Neste sentido, podemos pensar que a ciência, a técnica e as tecnologias estão em constante busca de uma suposta verdade, considerada socialmente aceitável e abarcadora espacialmente para determinadas sociedades. Elas se pautam, sobretudo, pela refutação/confirmação de fundamentos anteriormente estabelecidos e pela ressignificação de paradigmas, atribuindo, eventualmente, outros sentidos aos espaços habitados/circulados pelos sujeitos.

Basta pensarmos nas diferentes metamorfoses que estes espaços habitados/circulados sofreram com o tempo, bem como nos diferentes tensionamentos entre grupos: os que nele o habitam/habitaram permanentemente, grupos que estão de passagem, a relação com a própria natureza e, mais do que isto, o que se entende por natureza. Esta é uma das razões pelas quais podemos enxergar, por exemplo, o turismo enquanto um fenômeno sócio/cultural, para além de indicadores econômicos e técnicos da infraestrutura presente nos espaços, que comumente podem dominar a caracterização da atividade e a apresentação desta para a sociedade, embora elas também sejam importantes. Neste sentido, podemos sugerir são totalmente falaciosas as afirmações, comumente presentes em alguns currículos universitários, de que o turismo surgiu com o sistema capitalista.

Em outras palavras: pensar o turismo enquanto fenômeno sócio/cultural, remete enxergá-lo enquanto prosa e poesia em movimentos, diálogos e tensões, que devem estar ao alcance de viajantes e da população local, uma vez que, conforme Michel Alves Ferreira e Lindamir Salete Casagrande (2020, p. 151), "a intenção é fugir da cotidianidade, mas, ao mesmo tempo, o viajante recria no destino turístico as suas vivências particulares, combinadas com a interpretação do fenômeno que lhe é oferecida durante sua permanência no lugar".

 

Ocorre que, comumente, estes fenômenos podem ser cooptados tanto por um viés fomentista/economicista do turismo, como por um processo de descaracterização das experiências e vivências (tanto da comunidade quanto de quem é viajante), ambos pautados por violações da dignidade humana. Isto determina que tipo de grupo social pode ou não frequentar, consumir e afetar-se em determinados espaços. Cabe destacar que as violações em questão costumam estar fundamentadas em elementos racistas, sexistas, políticos, territoriais, geracionais, coloniais, de gênero. Estas e outras marcações estão simplesmente à serviço de um turismo de massa e dito global.

A proposta deste curso é estabelecer diálogos/reflexões coletivos acerca do turismo enquanto fenômeno, para além dos indicadores dispostos em agências de fomento do turismo, órgãos oficiais locais e internacionais. Não se trata de propor receitas ou de limitar-se a uma crítica esvaziada, mas sim conhecer, junto às pessoas que se dispuserem a participar da atividade, vivências concretas que denunciam notadamente o racismo, o sexismo e o classismo presentes nas manifestações cotidianas do turismo.

Por fim, a pergunta título “É possível um outro turismo?” não busca respostas dicotômicas, maniqueístas e/ou deterministas. É uma provocação que seria interessante (e por conseguinte, saudável) endereçar, reiteradamente, a quem viaja e/ou pretende viajar.

 

Com relação à ementa deste curso, propõe-se:

- considerações sobre o fenômeno turístico e as violações das dignidades/diferenças, para além de alguns entendimentos/imposições recorrentes neste campo;

- vivências, experiências e limites de grupos/sujeitos que atuam, entendem e discutem o fenômeno turístico;

- construção de caminhos alternativos que apontem possibilidades e limites de outros turismos, tendo em vista as contribuições trazidas pelxs participantes do curso.

 

Objetivos

 

1.Objetivo Geral:

Conhecer vivências concretas que denunciam notadamente o racismo, o sexismo e o classismo presentes nas diferentes manifestações do turismo, a partir de textos sugeridos e das diferentes cotidianidades das/dos participantes.


2. Objetivos Específicos:

 

Conhecer os itinerários e inquietações trazidos pelxs participantes, de acordo com a temática do curso.

​- Discutir, a partir dos textos e exemplos, como as experiências e vivências no turismo podem ser completamente violentas ou, pelo contrário, promotoras de fenômenos que respeitem as diferenças de quem viaja e de quem vive nos lugares de destino.

 

- Indagar coletivamente, ao fim do curso, sobre a possibilidade de pensar em outro turismo, procurando estabelecer seus parâmetros.

 

Breves apontamentos metodológicos

* Apresentação/votação desta proposta às/aos participantes, bem como dos temas e textos sugeridos.

* Estímulo de reflexões/diálogos entre proponente e cursistas, através do levantamento das teses centrais de cada texto e de seu cotejamento com as vivências pessoais sobre o tema.

* verificação de como se dá (ou não) a apreensão dos temas propostos por todos. Não se trata de uma avaliação seriada, porque não é este o objetivo, mas de entender como os temas de cada encontro promovem afetos. Esta verificação será importante para se pensar em uma proposta ao fim do curso.

 

Produto final coletivo a ser posto

É possível um outro turismo? Se sim, como? Se não, por quê? - Pode ser um texto coletivo pensado pelas/os participantes do curso ou algo que faça sentido para cada grupo. Isso será posto no primeiro encontro, pensado durante os demais seis encontros e no último será discutido o fruto do caminho percorrido.

Programa Proposto

1) 08/03 - Apresentação/discussão da proposta do curso e modificações da mesma coletivamente; encaminhamento da dinâmica proposta para o segundo encontro.

2) 22/03 – Compartilhamento/socialização entre as/os participantes: quem sou eu? Como me vejo no mundo? Como as outras pessoas me veem? Como foram minhas vivências em viagens? Encaminhamento da dinâmica proposta para o terceiro encontro, sobre a discussão de espaços e paisagens.

 

3) 05/04 – Espaços, paisagens e o turismo 1: socialização/discussão dos capítulos 5 e 6 do livro “Metamorfoses do Espaço Habitado”, de Milton Santos

Link: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4553745/mod_resource/content/1/texto3B_msantos_1988.pdf>

 

4) 19/04 – Espaços, paisagens e o turismo 2: socialização/discussão do artigo “La reconstrucción de los espacios turísticos: la geografía del turismo después del fordismo” de José Antonio Donaire

Link:<https://turismoypaisaje.files.wordpress.com/2012/06/donaire_1998_la-reconstruccion-de-espacios-turisticos.pdf>

 

5) 03/05 – Espaços, paisagens e o turismo 3: socialização/discussão dos textos sobre Sojourner Truth (p. 59-69) e sobre a Experiência da Rua Illampu, presente no texto de Silvia Rivera Cusicanqui ‘Clausurar el pasado para inaugurar el futuro. Desandando por una calle paceña” Links: <https://www.traficantes.net/sites/default/files/pdfs/Feminismos%20negros-TdS.pdf> (Sojourner Truth)

<http://www.agenda21culture.net/sites/default/files/files/documents/minidocuments/src_article_spa.pdf> (Silvia Cusicanqui).

 

6) 17/05 – Espaços, paisagens e o turismo 4: socialização/discussão do artigo "Movimentos, tecnologia e pessoas negras: é possível um outro turismo?"; discussão da experiência do Diáspora Black (Brasil).

Links: < https://periodicos.ufrn.br/turismocontemporaneo/article/view/19551/12727>;

<https://diaspora.black/> (Diáspora Black)

 

7) 31/05 – Espaços, paisagens e o turismo 5: socialização/discussão dos textos anteriores, combinadas às vivências pessoais/coletivas; preparação para o encontro final avaliativo do curso, construção de respostas, resolução da pergunta título do curso.

 

8) 07/06 - É Possível um outro turismo? Se sim, como? Se não, por que? – encontro final celebratório, avaliativo, colaborativo. Apresentação da proposta resultante deste curso.

 

Bibliografia

 

DONAIRE, José Antonio. La reconstrucción de los espacios turísticos: la geografía del turismo después del fordismo. Revista Sociedade e Territorio, n. 28, p. 1-34, 1998.

 

FERREIRA, Michel Alves; CASAGRANDE, Lindamir Salete. Movimentos, Tecnologia e Pessoas Negras: é possível um outro turismo? Revista de Turismo Contemporâneo, v. 8, n. 1, p. 149-167, 30 abr. 2020.

 

SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1996.

 

TRUTH, Sojourner. Sufragio femenino. In: JABARDO, Mercedes (org.). Feminismos negros: una antologia. Madrid: Mercedes Jabardo y Traficantes de Sueños, 2012, p. 59-69.

 

Idioma no qual serão oferecidas as aulas: português

Idiomas de comunicação dx docente: português e espanhol

Michel
Ferreira

Brasileiro, latino-americano e pessoa negra que lutou muito para buscar um futuro diferente daquele imposto pela violência de gênero, racial, econômica e social/educacional, todas elas lamentavelmente tão comuns em nossos territórios. Graduei-me em Turismo (Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE/Brasil), sou mestre em Tecnologia e Sociedade (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e futuro doutor, também em Tecnologia e Sociedade. Fui docente de cursos técnicos e profissionalizantes na cidade de Curitiba. Militante de coletivos afro e LGBTI. Amante da América Latina, gatos, viagens, pessoas, livros, cervejas, comidas. Meus interesses de diálogo são estudos raciais, turismo, educação, diversidade sexual/gênero.

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