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Te esperamos na próxima edição deste curso!
Início das aulas no dia 17 de março de 2021,
às 20h (Brasília, Buenos Aires) e às 18h (Cidade do México, Bogotá)
Duração do curso: 8 encontros quinzenais.

CR-4  POLÍTICAS DA ESCRITA

PROPOSTA

Como (re)criar, na escrita, uma ruptura do real? Como construir, escrevendo, novos regimes de visibilidade que não reproduzam os lugares sociais já fixados e regulados pelas leis que sustentam a reprodução do estado de coisas atual? Como escrever sem cair na pulsão da descrição sociológica (taxônomica) do mundo? Como tornar a própria escrita uma oportunidade para deslocar, ou mesmo exceder, as localizações sociais existentes?

 

Em "Los bordes de la ficción", Jacques Rancière argumenta pela existência de uma ruptura promissora, dentro da ficção moderna, com as práticas representacionais. No marco destas últimas, a imagem é aquela do escritor sentado na soleira da porta de casa, imaginando (semi recluso e semi exposto) o desenrolar das vidas que passam a sua frente, tecendo explicações sociológicas sobre o destino dos personagens ou, então, seguindo livremente sua imaginação solipsista ao projetar o devir daqueles sujeitos. Trata-se de uma escrita auto-centrada, onde as projeções seguras do escritor valem mais que a exposição ao real e às rupturas. Mas há também, em outra parte, uma atitude de colocar-se em risco, entre e com as pessoas. Essa exposição supõe desaprender a falar e a escrever no estilo imaginativo representacional, colocando em suspenso a necessidade de explicar o que as pessoas fazem em função de uma estrutura oculta que as conduz ou de um destino social pré-determinado. Supõe desaprender a falar a língua dos especialistas e dos que sabem o que está acontecendo com as pessoas só de olhar, ou depois de trocar com elas algumas palavras. Tal ruptura no interior da literatura se descola, também, da relação com disciplinas como a psicologia, a sociologia e a antropologia, na medida em que deixa de lado a pretensão de “desocultar” o mundo.

Este curso tem a intenção de explorar alguns debates que contribuem para pensar a existência dos textos e da escrita (narrativa, ensaística, ficcional) em modos que rompem com as políticas de representação e com as práticas taxonômicas de abordagem do real. Buscaremos debater a possibilidade de uma escrita que sustente a imagem de nós mesmos e dos demais naquele momento em que excedemos os lugares sociais que nos foram atribuídos na ordem vigente. Trata-se de um curso para qualquer um que goste de (ou precise) escrever, ler e acompanhar as rupturas do seu mundo. São muito bem-vindas quaisquer contribuições aos temas de debate, assim como o compartilhamento de textos próprios ou de terceiros.

Encontros

 

1. Primeiro encontro: apresentação do curso e dos participantes

 

2. Segundo encontro: Leitura e discussão dos seguintes textos. “Introducción” (p. 9-17), “Detrás de los vidrios” (p. 21-33). in: RANCIÉRE, Jacques. “Los Bordes de la Ficción”.

 

3. Terceiro encontro: Leitura e discussão dos seguintes textos. “Los ojos de los pobres” (p. 35-39), “Lo que ven los voyeurs” (p. 41-46) e “Ventana sobre calle” (p. 47-55) in: RANCIÉRE, Jacques. “Los Bordes de la Ficción”.

 

4. Quarto encontro. Leitura e discussão dos textos “Aventuras de la causalidad” (p. 75-89) e “Lo inimaginable” (p. 93-103). In: RANCIÉRE, Jacques. “Los Bordes de la Ficción”.

 

5. Quinto encontro: Leitura e discussão dos textos “Paisajes de papel” (p. 105-122) e “El momento cualquiera” (p. 127-136). In: RANCIÉRE, Jacques. “Los Bordes de la Ficción”.
 

6. Sexto encontro: Leitura e discussão dos textos: “O intelectual acadêmico como sujeito de conhecimento e a razão do excluído. Resposta a Mahmood Mamdani.”, Michael Neocosmos e “Ensayo Crísico: reflexiones desde el exceso”, Tomás Guzmán.
 

7. Sétimo encontro: Leitura e debate do livro “Ponciá Vivêncio”, Conceição Evaristo, que pode ser lido ao longo de todo o curso.

 

8. Oitavo encontro: Debate final.

 

Bibliografia

 

RANCIÉRE, Jacques. Los bordes de la ficción. Ed. Edhasa: Buenos Aires, 2019.

NEOCOSMOS, Michael. “O intelectual acadêmico como sujeito de conhecimento e a razão do excluído. Resposta a Mahmood Mamdani.” Disponível em: https://maquinacrisica.org/2020/08/28/o-intelectual-academico-como-sujeito-de-conhecimento-e-a-razao-do-excluido-resposta-a-mahmood-mamdani/
GUZMAN, Tomas. “Ensayo Crísico: reflexiones desde el exceso”. Disponível em https://maquinacrisica.org/2020/09/09/ensayo-crisico-reflexiones-desde-el-exceso/
EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Mazza Edições: Belo Horizonte, 2003.

 

Idioma no qual serão oferecidas as aulas: português

Idiomas de comunicação dx docente: português e espanhol

Juliana
Mesomo

Nasci e me criei em Porto Alegre, sul do Brasil, onde aprendi a amar toda a América Latina. Desde 2011, meu espaço prioritário de fabulação teórica e conspiração política vem sendo o Máquina Crísica - Grupo de Estudos em Antropologia Crítica, onde pude desenvolver as razões de uma ruptura com a disciplina antropológica e suas práticas institucionais. Meus interesses reflexivos e investigativos atuais são: pesquisa política; pesquisa militante; comunismo; dinâmicas urbanas e de urbanização; lutas pela moradia e por territórios; processos de proletarização; experiências de auto-formação teórica e políticas da escrita; teorias do sujeito e da subjetivação; feminismos populares e processos emancipatórios.

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