Inscrições abertas até 25 de fevereiro de 2021.
Inscrições finalizadas
Início das aulas no dia 1° de março de 2021,
às 18h30min (Brasília, Buenos Aires) e às 16h30min (Cidade do México, Bogotá)
Duração do curso: 7 encontros quinzenais.

CR-1 EXERCÍCIO DE ANÁLISE DE CONJUNTURA PELO DIAGRAMA DE RELAÇÕES SOCIAIS.

PROPOSTA

A ideia deste curso dialógico surgiu pelo desejo de experimentação coletiva de um método de trabalho que emprego em minha atual pesquisa. Este reúne a Análise de Redes (Relações) Sociais com a Análise de Conjuntura em um método teórico-prático, temporariamente chamado de: Análise de conjuntura pelo diagrama de relações sociais. Com ele tenho conseguido dialogar com uma diversidade de interesses (criar redes, diagramar experiências) a partir da questão central da pesquisa que desenvolvo. Nela, trabalho com a hipótese de que, a partir da leitura da interface subjetiva das relações sociais, dadas em torno da disputa contemporânea pelo patrimônio urbano do Centro histórico de Salvador, é possível compreender e intervir, através uma elaboração teórico instrumental, que contribua para nos deslocar do atual estado de plateia, onde no palco estão as decisões tomadas entre o poder público e o setor privado, para o local de pensadores/criadores, estratégicos e táticos com ideias e ações nesse e em outros campos de interesse da vida coletiva.

A Análise de Redes Sociais é uma ferramenta de elaboração teórico/prática baseada em métodos de investigação de campo (o campo aqui é entendido de forma mais ampla), que busca analisar e compreender uma determinada estrutura social. Com essa ferramenta é possível acessar os interstícios, as dinâmicas que ocorrem no espaço entre as diferentes formas de redes/relações sociais, que podem revelar o jogo de forças da conjuntura onde se movimentam, e alguns fenômenos sociais podem ser lidos a partir do contexto em que se dão, uma vez que sejam elucidados através das análises.

A análise de conjuntura contextualiza os acontecimentos considerando as articulações macro e micropolíticas, que atuam como pano de fundo dos mesmos, dentro de um exercício de análise, observando a lógica dos poderes em disputa e/ou em articulação. Segundo o sociólogo Herbert de Souza, há dois modos de leitura dos acontecimentos (da conjuntura política): pela lógica do poder dominante e pela oposição a este, empreendida pelos movimentos populares e demais classes subordinadas. No processo dessa leitura se pode perceber o jogo segundo o qual, a dinâmica trajetória dessas forças (ou de parte dessas) oscilam em um movimento de ascensão e queda (SOUZA, 2014). No primeiro modo, a leitura se faz no campo de domínio político, acadêmico ou especializado, como forma de produzir arranjos e/ou conduzir a rearranjos sociais para que determinado discurso seja formado sobre a realidade, criando uma versão desta. No segundo parte-se dos “acontecimentos social e historicamente determinados, existentes, concretos”  (SOUZA, 2014, p. 15) para se opor ao discurso hegemônico e apresentar alternativas baseadas em uma perspectiva de justiça social.

Temáticas dos encontros

1. Encontro: Qual é a conjuntura que lhe afeta/interessa?
2. Encontro: Como estudar essa conjuntura?
3. Encontro: Quais são os fatos, atores, cenários que ela apresenta?
4. Encontro: A análise de redes (relações) sociais
5. Encontro: Vamos diagramar a conjuntura?
6. Encontro: O que o (s) diagrama (s) nos mostra (m)? Parte I
7. Encontro: O que o (s) diagrama (s) nos mostra (m)? Parte II

Bibliografia que será trabalhada junto com xs estudantes (livros serão oferecidos em pdf)


AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo. In: O que é o contemporâneo e outros ensaios. Argos: Chapecó, 2009 (p. 55-73)
DUNKER, Christian. A Pós-Verdade e seu tempo político. Outras Palavras, São Paulo, 12/03/2018. Disponível em: <https://outraspalavras.net/sem-categoria/para-compreender-a-pos-verdade-e-seu-tempo-politico/>. Acesso em: 04/07/2020
SOUZA, Herbert José de. Como se faz análise de conjuntura. 34. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.
PEIRANO, Mariza. Etnografia, ou a teoria vivida. Ponto Urbe [Online], 2 | 2008, Disponível em: <http://journals.openedition.org/pontourbe/1890> ; DOI : 10.4000/pontourbe.1890.
PUJADAS, Juan. (coord). Etnografia. Barcelona, Editoral UOC, 2010.

Idioma no qual serão oferecidas as aulas: português

Idiomas de comunicação dx docente: português

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Solange
Valladão

Sou arquiteta urbanista; professora de arquitetura e urbanismo; doutoranda na área de Gestão de Bens Patrimoniais. Pesquiso sobre o papel da subjetividade na disputa por patrimônio urbano no século XXI. Especialista em artes visuais e em fotografia, desenhista, roqueira sem tribo; nascida em Salvador, Bahia; sou aquariana com ascendente aquário e falo portuñol fluentemente.